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o que significa "provável"? (parte 1)

Faz parte do vocabulário cotidiano, técnico e científico, embora nem sempre no mesmo sentido, dizer que algo é provável. Dizemos que podemos encontrar, em horário comercial, o médico em seu consultório, não porque tenhamos certeza, mas porque é provável que assim seja. Dizemos que amanhã provavelmente vai chover. Dizemos que provavelmente Trump não será o candidato republicano à Presidência em 2024. Dizemos que, se rolarmos um dado, a probabilidade de que dê "1" é de 1/6. Dizemos que o cigarro aumenta a probabilidade de câncer no pulmão. Dizemos que a vacina reduz a probabilidade de sintomas graves de uma virose. Enfim, a noção de probabilidade é constituinte fundamental das nossas conversas. Quando falamos em verdade e falsidade, as coisas são aparentemente mais simples: se digo que está chovendo no Parque do Ibirapuera, o critério de significado dessa proposição é seu valor de verdade e pode ser verificado pela experiência: basta ir ao local e observar o céu. Se estiver cho...

epifenomenalismo: uma resposta sobre a natureza da mente

Um dos campos mais fascinantes da filosofia, para mim, é a filosofia da mente. Como compatibilizar esse mundo material matematizado e determinado, no qual alguns acreditam (e eu tendo a ser um deles) com a experiência subjetiva? O que é experiência subjetiva? É perceber-se uma consciência, "atrás" dos próprios olhos, ouvindo uma voz mental enquanto lê este texto, percebendo sons acontecendo ao fundo da sua atenção (carros distantes, talvez um cachorro latindo, ou alguém conversando). É notar cores, figuras, tamanhos, sabores... Entender-se "eu", esse feixe de sensações, raciocínios, crenças, valores, emoções, sentimentos, memórias, desejos, sonhos... essa é uma descrição possível de experiência subjetiva. Podemos dizer também que é essa realidade "interior" a nós, a qual os outros não tem acesso direto. Chamamos isso de eu, de consciência, de mente, de subjetividade. Em filosofia e psicologia, nem sempre esses termos significam a mesma coisa, mas para efei...

filosofia budista em nãgãrjuna

Uma das novidades filosóficas do séc. XX foi o existencialismo, visão na qual o ser humano não possui uma essência prévia, ou seja, rejeita-se a ideia de que possuímos uma natureza inescapável, da qual não poderíamos nos livrar mesmo com todo a vontade e esforço. A condição humana seria a própria liberdade. Claro, um existencialista não defende que podemos sair voando, se quisermos o suficiente. Ele se refere à liberdade com relação a nossas decisões dentro da factualidade. Por exemplo, se você disser que não pode ajudar alguém em perigo porque Deus ou sua genética o proíbe, o existencialista lhe acusará de má-fé: "você é que está decidindo não fazê-lo, a liberdade é sua condição inegável, pare de terceirizar sua responsabilidade". Dessa forma, a realidade seria povoada por seres cuja condição é o nada (nós, no caso), no sentido de que não somos coisas determinadas, e sim perpétuos projetos de existência, algo como um movimento constante para fora. Tudo isso é assunto bastant...

queria dividir filosofia

olá! se você me segue no twitter ou no instagram, sabe que gosto de pensar e conversar sobre filosofia, especialmente filosofia da ciência, epistemologia e metafísica   pois bem, este espaço parece adequado pra fazer algo do tipo sem ter que montar fios enormes no twitter ou postar quinze stories seguidos no instagram, plataformas que não servem para textos longos   enfim, seja bem vindo  se você quiser comentar algo no textos, seja aqui, seja respondendo os posts no twitter e instagram, vou adorar  a ideia disso aqui é conversar mesmo   ah! caso você tenha parada aqui sem me conhecer, meu nome é Felipe, e é comum me chamarem de Chala  tenho graduação e mestrado em filosofia pela unesp e atualmente não atuo na área, mas sigo pesquisando e adorando explorar a universo ilimitado da filosofia   é isto ;)